Menina Mulher

  Mais uma vez o dia acabou e a noite invadiu sua mente sem explicações. Ela deitou sua cabeça sobre o travesseiro, e, mais uma vez, algo continuava passando em sua mente.

Ela achava que crescer seria fácil, e que ter responsabilidades a faria feliz. Consumia suas horas de menina tentando ser mulher. Mas, quando finalmente tornou-se mulher, queria voltar no tempo. Abraçar seus ursos de pelúcia e se preocupar apenas com seu dever de casa.

Queria correr para os braços protetores do seu pai, ouvir as histórias do seus avos, contar suas ideias para sua mãe ou, simplesmente não ter os problemas que surgiram. Queria voltar a ter somente aquele amor ingênuo, que não decepciona, aquela paixãozinha boba de menina, por vezes não correspondida, mas que logo era esquecida. Queria sorrir com coisas simples, e, no final do dia, ‘conversar’ com seu diário como se ele fosse seu melhor amigo. Queria ouvir “isso é papo de adulto”… E, dessa vez, ela não iria querer participar mais, tanto quanto no passado ela quis.

Mas a verdade é que ela cresceu e o tempo não volta. Estava ali, uma mulher querendo ser menina, que um dia foi menina, querendo ser mulher. A vida é uma ironia. E ai, o que ela faria?

Decidiu agir como mulher, mas não perder sua inocência de menina. E quando alguns tentam persuadi-la de que ‘viveram felizes para sempre’ não existe, sua ingenuidade infantil não a deixa acreditar, então, ela simplesmente usa sua maturidade de adulta para não discutir.

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